Como prometido:
Apostamos R$ 107,00
Ganhamos R$ 149,45
Lucro de 40%
Nada mal, foram 12 apostas, 9 ganhas e 3 perdidas.
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
sábado, 16 de janeiro de 2010
Sites de apostas em futebol, faremos uma experiência neste final de semana, confira abaixo!
O assunto é difícil, contestado, mas vale o debate sadio e produtivo: apostas futebolísticas.
http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2009/12/29/a-industria-das-apostas-no-mundo-do-futebol-legalidade-e-moralidade-dos-envolvidos-no-esporte/
É cada vez mais frequente em nosso país a oferta de apostas em esportes. A priore, quando se fala em “apostas”, poderia-se lembrar de rinhas de galo, bingos, cassinos. Mas as apostas em futebol não tem nada de ilegalidade, dependendo de quem se envolve no jogo (apostador e ofertante da aposta).
Seria hipocrisia defender a proibição de jogos de azar; afinal, o Brasil é um grande cassino e a Caixa Econômica Federal é o exemplo maior. Vide os números da Mega-Sena, Loto e outras loterias. Elas não são legalizadas e incentivadas pelo governo?
A novidade é a presença mais constante e notória de grandes empresas: Sporting Bet, Bwin, entre outras. A propósito, estas “casas de apostas virtuais” têm se tornado cada vez mais conhecidas. Salvo engano, estão estampadas em algumas placas publicitárias em estádios e camisas de times de grande expressão, como A.C. Milan e C.F.Real Madrid.
Para quem milita no futebol, talvez tenha um repentino frio na espinha ao ouvir falar sobre apostas. Afinal, há pouco tempo tivemos o escândalo envolvendo apostadores, que ficou conhecido como “Máfia do Apito”. Na Europa, um mega-escândalo envolvendo manipulação de resultados em jogos naquele continente acontece nesse momento. Claro, para nós, árbitros de futebol, a distância desse tema ou dessas casas é desejada e moralmente obrigatória. E isso é correto; é uma demonstração de lisura e incompatibilidade de funções. Se levado ao extremo - e extremo mesmo - se descarte a permissão de árbitros, jogadores e dirigentes jogarem na Loteria Esportiva, Timemania ou aquela outra loteria onde se determina ganhador e perdedor dos jogos, com placares pré-determinados (perdoem-me o esquecimento do nome do jogo). Mas isso não quer dizer que o cidadão que jogar seja corrupto! Se contestará a ética e a moralidade, isso é lógico. Mas ao mesmo tempo, não vejo contestação da empresa Bwin ser a patrocinadora do Milan! Se fosse assim, interesses aflorariam cada vez mais em favor de derrotas ou vitórias mercê a quantidade de apostas.
Para quem “consome” os serviços de apostas, os apostadores propriamente ditos, as empresas que chegam ofertando seu negócio são idôneas, respeitadas mundialmente e transbordando lisura. Mas uma constatação preocupante: segundo Felipe Carneiro, em matéria da Revista Exame (link e citação abaixo), o dinheiro das apostas leva ao dono da banca a ter um lucro maior do que o dos traficantes de drogas. A recíproca é verdadeira aos apostadores, que podem ter um retorno médio de 20 a 30 vezes maior. E isso se revela simultaneamente idêntico no mundo inteiro. Por exemplo, estamos em dezembro, e na Suécia, um site de apostas paga 7 por 1 a cada euro apostado no Corinthians como campeão da Libertadores da América, mesmo com os adversários finais em definição (extraído de Gazeta Esportiva, citação abaixo)! É a globalização do futebol e das apostas.
A regulamentação das apostas ainda parece obscura em nosso país e o tema sombrio. Há de se separar as empresas sérias e os vigaristas, de se criar mecanismos de controle e fiscalização. Entretanto, a cada escândalo que estourar envolvendo máfia de apostadores, invariavelmente se levantarão suspeitas em primeiro lugar aos árbitros, em segundo aos dirigentes e em terceiro aos jogadores.
Nossa equipe efetuou cadastro no site sportingbet.com; o qual é um dos patrocinadores oficiais do campeonato brasileiro, portanto, devidamente legalizado. Depois de muitas análises técnicas, resolvemos apostar nos seguintes resultados:
(16/01/2010 12:23 BRST 272675772 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,80 BRL) Futebol Limoeiro CE v Guarany CE
Match Prices
Limoeiro CE 1.90) TRADUZINDO: para o jogo de futebol Dia 16/01/10, às 12:23h(o horário deve estar errado), entre Limoeiro CE x Guarany CE, foram apostados R$ 2,00, na vitória do Limoeiro CE. O numeral 1.90 se refere a quanto será pago ao acertador, ou seja, 1,9 vezes o valor apostado, que seria R$ 3,80.
Na verdade, alguns consideram um investimento de risco, pois não existe produto financeiro capaz de dar 90% de lucratividade em apenas 90 minutos...Desde que se ganhe, né!
16/01/2010 12:23 BRST 272675768 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,10 BRL) Futebol Crato CE v Fortaleza CE
Match Prices
Fortaleza CE 1.55
16/01/2010 12:23 BRST 272675762 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,10 BRL) Futebol Maranguape CE v Quixada CE
Match Prices
Maranguape CE 1.55
16/01/2010 12:23 BRST 272675758 2,00 BRL Em Aberto Simples (2,30 BRL) Futebol Ceara CE v Guarani de Juazeiro
Match Prices
Ceara CE 1.15
16/01/2010 12:23 BRST 272675753 2,00 BRL Em Aberto Simples (2,80 BRL) Futebol Itapipoca CE v Horizonte CE
Match Prices
Itapipoca CE 1.40
16/01/2010 12:23 BRST 272675748 2,00 BRL Em Aberto Simples (6,00 BRL) Futebol Boa Viagem CE v Ferroviario CE
Match Prices
Ferroviario CE 3.00
16/01/2010 12:20 BRST 272674198 10,00 BRL Em Aberto Simples (13,50 BRL) Futebol Hamburger SV v Freiburg
Match Prices
Hamburger SV 1.35
16/01/2010 12:19 BRST 272673901 10,00 BRL Em Aberto Simples (14,00 BRL) Futebol Bayer Leverkusen v Mainz 05
Match Prices
Bayer Leverkusen 1.40
16/01/2010 12:18 BRST 272673378 5,00 BRL Em Aberto Simples (16,00 BRL) Futebol Bari v Inter
Match Prices
Draw 3.20
16/01/2010 12:17 BRST 272672840 30,00 BRL Em Aberto Simples (36,00 BRL) Futebol AC Milan v Siena
Match Prices
AC Milan 1.20
16/01/2010 12:15 BRST 272671471 30,00 BRL Em Aberto Simples (33,75 BRL) Futebol Manchester United v Burnley
Match Prices
Manchester United 1.125
16/01/2010 12:14 BRST 272671191 10,00 BRL Em Aberto Simples (12,00 BRL) Futebol Chelsea v Sunderland
Match Prices
Chelsea 1.20
Então, boa sorte, e ao final da rodada, saberemos se o investimento trouxe retorno.
http://professorrafaelporcari.blog.terra.com.br/2009/12/29/a-industria-das-apostas-no-mundo-do-futebol-legalidade-e-moralidade-dos-envolvidos-no-esporte/
É cada vez mais frequente em nosso país a oferta de apostas em esportes. A priore, quando se fala em “apostas”, poderia-se lembrar de rinhas de galo, bingos, cassinos. Mas as apostas em futebol não tem nada de ilegalidade, dependendo de quem se envolve no jogo (apostador e ofertante da aposta).
Seria hipocrisia defender a proibição de jogos de azar; afinal, o Brasil é um grande cassino e a Caixa Econômica Federal é o exemplo maior. Vide os números da Mega-Sena, Loto e outras loterias. Elas não são legalizadas e incentivadas pelo governo?
A novidade é a presença mais constante e notória de grandes empresas: Sporting Bet, Bwin, entre outras. A propósito, estas “casas de apostas virtuais” têm se tornado cada vez mais conhecidas. Salvo engano, estão estampadas em algumas placas publicitárias em estádios e camisas de times de grande expressão, como A.C. Milan e C.F.Real Madrid.
Para quem milita no futebol, talvez tenha um repentino frio na espinha ao ouvir falar sobre apostas. Afinal, há pouco tempo tivemos o escândalo envolvendo apostadores, que ficou conhecido como “Máfia do Apito”. Na Europa, um mega-escândalo envolvendo manipulação de resultados em jogos naquele continente acontece nesse momento. Claro, para nós, árbitros de futebol, a distância desse tema ou dessas casas é desejada e moralmente obrigatória. E isso é correto; é uma demonstração de lisura e incompatibilidade de funções. Se levado ao extremo - e extremo mesmo - se descarte a permissão de árbitros, jogadores e dirigentes jogarem na Loteria Esportiva, Timemania ou aquela outra loteria onde se determina ganhador e perdedor dos jogos, com placares pré-determinados (perdoem-me o esquecimento do nome do jogo). Mas isso não quer dizer que o cidadão que jogar seja corrupto! Se contestará a ética e a moralidade, isso é lógico. Mas ao mesmo tempo, não vejo contestação da empresa Bwin ser a patrocinadora do Milan! Se fosse assim, interesses aflorariam cada vez mais em favor de derrotas ou vitórias mercê a quantidade de apostas.
Para quem “consome” os serviços de apostas, os apostadores propriamente ditos, as empresas que chegam ofertando seu negócio são idôneas, respeitadas mundialmente e transbordando lisura. Mas uma constatação preocupante: segundo Felipe Carneiro, em matéria da Revista Exame (link e citação abaixo), o dinheiro das apostas leva ao dono da banca a ter um lucro maior do que o dos traficantes de drogas. A recíproca é verdadeira aos apostadores, que podem ter um retorno médio de 20 a 30 vezes maior. E isso se revela simultaneamente idêntico no mundo inteiro. Por exemplo, estamos em dezembro, e na Suécia, um site de apostas paga 7 por 1 a cada euro apostado no Corinthians como campeão da Libertadores da América, mesmo com os adversários finais em definição (extraído de Gazeta Esportiva, citação abaixo)! É a globalização do futebol e das apostas.
A regulamentação das apostas ainda parece obscura em nosso país e o tema sombrio. Há de se separar as empresas sérias e os vigaristas, de se criar mecanismos de controle e fiscalização. Entretanto, a cada escândalo que estourar envolvendo máfia de apostadores, invariavelmente se levantarão suspeitas em primeiro lugar aos árbitros, em segundo aos dirigentes e em terceiro aos jogadores.
Nossa equipe efetuou cadastro no site sportingbet.com; o qual é um dos patrocinadores oficiais do campeonato brasileiro, portanto, devidamente legalizado. Depois de muitas análises técnicas, resolvemos apostar nos seguintes resultados:
(16/01/2010 12:23 BRST 272675772 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,80 BRL) Futebol Limoeiro CE v Guarany CE
Match Prices
Limoeiro CE 1.90) TRADUZINDO: para o jogo de futebol Dia 16/01/10, às 12:23h(o horário deve estar errado), entre Limoeiro CE x Guarany CE, foram apostados R$ 2,00, na vitória do Limoeiro CE. O numeral 1.90 se refere a quanto será pago ao acertador, ou seja, 1,9 vezes o valor apostado, que seria R$ 3,80.
Na verdade, alguns consideram um investimento de risco, pois não existe produto financeiro capaz de dar 90% de lucratividade em apenas 90 minutos...Desde que se ganhe, né!
16/01/2010 12:23 BRST 272675768 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,10 BRL) Futebol Crato CE v Fortaleza CE
Match Prices
Fortaleza CE 1.55
16/01/2010 12:23 BRST 272675762 2,00 BRL Em Aberto Simples (3,10 BRL) Futebol Maranguape CE v Quixada CE
Match Prices
Maranguape CE 1.55
16/01/2010 12:23 BRST 272675758 2,00 BRL Em Aberto Simples (2,30 BRL) Futebol Ceara CE v Guarani de Juazeiro
Match Prices
Ceara CE 1.15
16/01/2010 12:23 BRST 272675753 2,00 BRL Em Aberto Simples (2,80 BRL) Futebol Itapipoca CE v Horizonte CE
Match Prices
Itapipoca CE 1.40
16/01/2010 12:23 BRST 272675748 2,00 BRL Em Aberto Simples (6,00 BRL) Futebol Boa Viagem CE v Ferroviario CE
Match Prices
Ferroviario CE 3.00
16/01/2010 12:20 BRST 272674198 10,00 BRL Em Aberto Simples (13,50 BRL) Futebol Hamburger SV v Freiburg
Match Prices
Hamburger SV 1.35
16/01/2010 12:19 BRST 272673901 10,00 BRL Em Aberto Simples (14,00 BRL) Futebol Bayer Leverkusen v Mainz 05
Match Prices
Bayer Leverkusen 1.40
16/01/2010 12:18 BRST 272673378 5,00 BRL Em Aberto Simples (16,00 BRL) Futebol Bari v Inter
Match Prices
Draw 3.20
16/01/2010 12:17 BRST 272672840 30,00 BRL Em Aberto Simples (36,00 BRL) Futebol AC Milan v Siena
Match Prices
AC Milan 1.20
16/01/2010 12:15 BRST 272671471 30,00 BRL Em Aberto Simples (33,75 BRL) Futebol Manchester United v Burnley
Match Prices
Manchester United 1.125
16/01/2010 12:14 BRST 272671191 10,00 BRL Em Aberto Simples (12,00 BRL) Futebol Chelsea v Sunderland
Match Prices
Chelsea 1.20
Então, boa sorte, e ao final da rodada, saberemos se o investimento trouxe retorno.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Do amigo FLÁVIO PAIVA, publicado no Diário do Nordeste
Aqueles por quem esperávamos
A experiência humana provavelmente nunca teve um momento tão rico como o que está sendo vivido na atualidade. Não que no passado não tenhamos enfrentado e superado períodos de grandes adversidades e ameaças de destruição. O que diferencia a situação atual das anteriores é o nível de conhecimento que temos da realidade, a capacidade instrumental para promover a reação e a consciência de que boa parte das providências a serem tomadas está em nossas mãos.
O que pode parecer assustador é na verdade o privilégio da identificação do que se passa e de saber o que fazer. O desafio é encontrar a disposição para sair da zona de comodidade e abrir mão de um estilo de vida esgotado e esgotante, para buscar um destino que leve ao equilíbrio e não à catástrofe. Essa inversão de rumos exige que as pessoas e os grupos sociais despertos encontrem pontos comuns e férteis para a semeadura da catálise dos modos de ser e de se comportar em um mundo no qual viver seja mais atraente do que operacionalizar a vida.
Dentro dos esforços de procura por forças que possam revolver paradigmas a partir da convergência de ideais comuns, o livro “Honrar a Criança – como transformar este mundo” (Alana, 2009), organizado pelo músico e compositor canadense Raffi Cavoukian e pela psicóloga estadunidense Sharna Olfman é uma ótima reunião de textos de escritores, executivos, professores, políticos, físicos, pesquisadores, teólogos, psiquiatras, psicólogos, biólogos, pediatras, artistas, ativistas, filósofos e pedagogos, inspirados por um ponto de fuga traçado por Raffi, sob o conceito de “Honrar a Criança”.
Na reflexão do escritor David C. Korten, autor do livro “O mundo pós-corporativo” (Vozes, 2001) encontramos o dilema posto na encruzilhada dos tempos a que chegamos: insistiremos com o modelo competitivo em declínio, baseado na dominação, ou teremos a ousadia de programarmos um modelo cooperativo socioambiental, inspirado na parceria? “A economia e os sistemas políticos imperialistas organizados para servir à riqueza e ao privilégio sem consideração pelas consequências sociais e ambientais estão matando a Terra e destruindo o tecido da civilização”, sentencia Korten (p. 140).
A questão política mais relevante para a migração entre esses dois modelos é, segundo David Korten, o fortalecimento das conexões humanas da família, da comunidade e a determinação de assegurar um futuro positivo para as crianças. Para isso, a sociedade civil deve reforçar em si o verdadeiro centro político do poder público que ela é, e não mais seguir simplesmente e erroneamente igualando democracia aos sistemas eleitorais dominados por grupos de interesses que para si ocupam as instituições governamentais e corporativas.
A mudança proposta por Korten teria que ser capaz de priorizar a liberdade dos pais de amarem e de cuidarem de seus filhos. E isso só é possível com a construção de um consenso de valores, definido por uma sociedade governada pelo interesse coletivo e que coloque a maternidade e a paternidade como o trabalho mais importante de todos os que se imagine existir. Parâmetros assim, somente serão estabelecidos, se conseguirmos assumir o compromisso de desintoxicação e de recuperação da fertilidade do Planeta, em nome da criança e da natureza.
As páginas de “Honrar a Criança” levaram-me à sensação de que precisamos assumir a postura de que, diante da crise social e ecológica vigente, “nós somos aqueles por quem estávamos esperando” (Korten, p. 149). Precisamos nos permitir à tomada de consciência do que representamos para a vida compartilhada em suas interrelações e complementaridades. O ponto em comum que podemos encontrar nas pessoas de todos os lugares e que precisa ser reativado é a busca pelo bem-estar da próxima geração, como “reflexo de nossas necessidades existenciais de vínculo e transcendência”, conforme as palavras de Sharna Olfman (p. 79). De maneira implícita ou explícita, consciente ou inconsciente, todos nós gostaríamos de deixar um mundo melhor para os nossos filhos.
A variedade de olhares, de testemunhos e de demonstrações de crença no futuro, exposta nessa publicação, reforçou em mim a importância da transdisciplinaridade voltada para a valorização da cultura e da cultura da infância que reuni em meu livro “Eu era assim – Infância, Cultura e Consumismo” (Cortez, 2009). Enquanto neste livro eu me vi e me mostrei de dentro para fora, do local para o global, ao ler “Honrar a Criança”, tive a oportunidade de me ver de fora para dentro, da realidade estrangeira para a nacional.
Como os artigos organizados por Raffi Cavoukian e Sharna Olfman foram publicados pela primeira vez há 15 anos, encontrei nessas reflexões muitos dos conceitos que no início da década de 1990 me animaram a pensar, a agir e a escrever sobre visão sistêmica, cidadania orgânica, valorização da infância e sustentabilidade. Essa identificação tornou a leitura de “Honrar a Criança” mais atraente e mais empolgante para mim. Entretanto, esse é um livro que tem muitas janelas e muitas portas que levam à manifestação de pensamentos, relatos de práticas e sinalizações de caminhos com os quais podemos nos identificar simplesmente pelo fator que Korten chama de “terreno comum até mesmo nas questões que nos dividem” (p. 145).
Poucos são os nodos da ética que, em circunstâncias normais, nos aproximam tanto quanto o respeito à infância. Mesmo que a vitória da competição sobre a cooperação tenha embrutecido o mundo adulto a padrões medievais, não há como negar a existência de uma certa compreensão da necessidade de honrar a criança. A teóloga Heather Eaton coloca muito bem em sua fala a urgência de deixarmos de ver as crianças como futuros adultos, mas “como pessoas que manifestam aqui e agora atributos importantes para a sociedade” (p. 117). Essa consciência é um dos primeiros passos para a transformação.
Mary Gordon, perita em educação familiar, trata da questão da empatia, como o “verdadeiro cerne da sociedade civil” (p. 202). Para ela, honrar a criança é apoiar a sua capacidade de construir uma identidade positiva, a partir da “noção de que são indivíduos fortes e carinhosos e inspirar nelas uma visão de cidadania que possa de fato mudar o mundo” (idem). E para desenvolverem um comportamento pró-social as crianças querem que lhes contemos histórias que as tornem humanas, que dêem vida aos seus sentimentos e, como diz a artista e psicóloga Susan Linn, que tenham “o tempo, o espaço e o silêncio disponíveis para suas próprias ideias e imagens” (p.250) em ambientes que possibilitem o desenvolvimento cultural, emocional, social, educativo, cognitivo, moral e espiritual.
As abordagens trabalhadas nas duas dezenas de artigos que compõem o livro “Honrar a Criança” formam a plataforma temática do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo, que o Instituto Alana vai realizar em São Paulo de 16 a 18 de março de 2010. Em março de 2006, na fala que fiz por ocasião do 1º Fórum Internacional Criança e Consumo, coloquei, e estou cada vez mais convicto disso, que esse é um tema de grande urgência cultural e de caráter civilizatório, que não está limitado à classe, gênero, crença religiosa ou preferência partidária. É um tema de grande poder de catálise, de grande força agregadora, que se constitui num compromisso geracional. Agora, após ler o livro “Honrar a Criança” eu acrescentaria, recorrendo a Korten: “Aqueles por quem esperávamos, somos nós”.
Se gostou, click abaixo e vote:
http://www.revistafale.com.br/30cearenses.html
http://www.flaviopaiva.com.br/
flaviopaiva@fortalnet.com.br
www.diariodonordeste.com.br
A experiência humana provavelmente nunca teve um momento tão rico como o que está sendo vivido na atualidade. Não que no passado não tenhamos enfrentado e superado períodos de grandes adversidades e ameaças de destruição. O que diferencia a situação atual das anteriores é o nível de conhecimento que temos da realidade, a capacidade instrumental para promover a reação e a consciência de que boa parte das providências a serem tomadas está em nossas mãos.
O que pode parecer assustador é na verdade o privilégio da identificação do que se passa e de saber o que fazer. O desafio é encontrar a disposição para sair da zona de comodidade e abrir mão de um estilo de vida esgotado e esgotante, para buscar um destino que leve ao equilíbrio e não à catástrofe. Essa inversão de rumos exige que as pessoas e os grupos sociais despertos encontrem pontos comuns e férteis para a semeadura da catálise dos modos de ser e de se comportar em um mundo no qual viver seja mais atraente do que operacionalizar a vida.
Dentro dos esforços de procura por forças que possam revolver paradigmas a partir da convergência de ideais comuns, o livro “Honrar a Criança – como transformar este mundo” (Alana, 2009), organizado pelo músico e compositor canadense Raffi Cavoukian e pela psicóloga estadunidense Sharna Olfman é uma ótima reunião de textos de escritores, executivos, professores, políticos, físicos, pesquisadores, teólogos, psiquiatras, psicólogos, biólogos, pediatras, artistas, ativistas, filósofos e pedagogos, inspirados por um ponto de fuga traçado por Raffi, sob o conceito de “Honrar a Criança”.
Na reflexão do escritor David C. Korten, autor do livro “O mundo pós-corporativo” (Vozes, 2001) encontramos o dilema posto na encruzilhada dos tempos a que chegamos: insistiremos com o modelo competitivo em declínio, baseado na dominação, ou teremos a ousadia de programarmos um modelo cooperativo socioambiental, inspirado na parceria? “A economia e os sistemas políticos imperialistas organizados para servir à riqueza e ao privilégio sem consideração pelas consequências sociais e ambientais estão matando a Terra e destruindo o tecido da civilização”, sentencia Korten (p. 140).
A questão política mais relevante para a migração entre esses dois modelos é, segundo David Korten, o fortalecimento das conexões humanas da família, da comunidade e a determinação de assegurar um futuro positivo para as crianças. Para isso, a sociedade civil deve reforçar em si o verdadeiro centro político do poder público que ela é, e não mais seguir simplesmente e erroneamente igualando democracia aos sistemas eleitorais dominados por grupos de interesses que para si ocupam as instituições governamentais e corporativas.
A mudança proposta por Korten teria que ser capaz de priorizar a liberdade dos pais de amarem e de cuidarem de seus filhos. E isso só é possível com a construção de um consenso de valores, definido por uma sociedade governada pelo interesse coletivo e que coloque a maternidade e a paternidade como o trabalho mais importante de todos os que se imagine existir. Parâmetros assim, somente serão estabelecidos, se conseguirmos assumir o compromisso de desintoxicação e de recuperação da fertilidade do Planeta, em nome da criança e da natureza.
As páginas de “Honrar a Criança” levaram-me à sensação de que precisamos assumir a postura de que, diante da crise social e ecológica vigente, “nós somos aqueles por quem estávamos esperando” (Korten, p. 149). Precisamos nos permitir à tomada de consciência do que representamos para a vida compartilhada em suas interrelações e complementaridades. O ponto em comum que podemos encontrar nas pessoas de todos os lugares e que precisa ser reativado é a busca pelo bem-estar da próxima geração, como “reflexo de nossas necessidades existenciais de vínculo e transcendência”, conforme as palavras de Sharna Olfman (p. 79). De maneira implícita ou explícita, consciente ou inconsciente, todos nós gostaríamos de deixar um mundo melhor para os nossos filhos.
A variedade de olhares, de testemunhos e de demonstrações de crença no futuro, exposta nessa publicação, reforçou em mim a importância da transdisciplinaridade voltada para a valorização da cultura e da cultura da infância que reuni em meu livro “Eu era assim – Infância, Cultura e Consumismo” (Cortez, 2009). Enquanto neste livro eu me vi e me mostrei de dentro para fora, do local para o global, ao ler “Honrar a Criança”, tive a oportunidade de me ver de fora para dentro, da realidade estrangeira para a nacional.
Como os artigos organizados por Raffi Cavoukian e Sharna Olfman foram publicados pela primeira vez há 15 anos, encontrei nessas reflexões muitos dos conceitos que no início da década de 1990 me animaram a pensar, a agir e a escrever sobre visão sistêmica, cidadania orgânica, valorização da infância e sustentabilidade. Essa identificação tornou a leitura de “Honrar a Criança” mais atraente e mais empolgante para mim. Entretanto, esse é um livro que tem muitas janelas e muitas portas que levam à manifestação de pensamentos, relatos de práticas e sinalizações de caminhos com os quais podemos nos identificar simplesmente pelo fator que Korten chama de “terreno comum até mesmo nas questões que nos dividem” (p. 145).
Poucos são os nodos da ética que, em circunstâncias normais, nos aproximam tanto quanto o respeito à infância. Mesmo que a vitória da competição sobre a cooperação tenha embrutecido o mundo adulto a padrões medievais, não há como negar a existência de uma certa compreensão da necessidade de honrar a criança. A teóloga Heather Eaton coloca muito bem em sua fala a urgência de deixarmos de ver as crianças como futuros adultos, mas “como pessoas que manifestam aqui e agora atributos importantes para a sociedade” (p. 117). Essa consciência é um dos primeiros passos para a transformação.
Mary Gordon, perita em educação familiar, trata da questão da empatia, como o “verdadeiro cerne da sociedade civil” (p. 202). Para ela, honrar a criança é apoiar a sua capacidade de construir uma identidade positiva, a partir da “noção de que são indivíduos fortes e carinhosos e inspirar nelas uma visão de cidadania que possa de fato mudar o mundo” (idem). E para desenvolverem um comportamento pró-social as crianças querem que lhes contemos histórias que as tornem humanas, que dêem vida aos seus sentimentos e, como diz a artista e psicóloga Susan Linn, que tenham “o tempo, o espaço e o silêncio disponíveis para suas próprias ideias e imagens” (p.250) em ambientes que possibilitem o desenvolvimento cultural, emocional, social, educativo, cognitivo, moral e espiritual.
As abordagens trabalhadas nas duas dezenas de artigos que compõem o livro “Honrar a Criança” formam a plataforma temática do 3º Fórum Internacional Criança e Consumo, que o Instituto Alana vai realizar em São Paulo de 16 a 18 de março de 2010. Em março de 2006, na fala que fiz por ocasião do 1º Fórum Internacional Criança e Consumo, coloquei, e estou cada vez mais convicto disso, que esse é um tema de grande urgência cultural e de caráter civilizatório, que não está limitado à classe, gênero, crença religiosa ou preferência partidária. É um tema de grande poder de catálise, de grande força agregadora, que se constitui num compromisso geracional. Agora, após ler o livro “Honrar a Criança” eu acrescentaria, recorrendo a Korten: “Aqueles por quem esperávamos, somos nós”.
Se gostou, click abaixo e vote:
http://www.revistafale.com.br/30cearenses.html
http://www.flaviopaiva.com.br/
flaviopaiva@fortalnet.com.br
www.diariodonordeste.com.br
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Um choque de gigantes é esperado para alguns bilhões de anos!
Andrômeda é uma galáxia espiral, localizada a 3 milhões de anos-luz da Terra. Conhecida também como M31, a galáxia pode ser vista facilmente em locais escuros. Sua beleza encantadora, entretanto, esconde uma dura realidade. Andrômeda se aproxima da Via-Láctea a 480 mil km/h e ninguém sabe ao certo o que acontecerá no dia em que se tocarem.
sexta-feira, 16 de outubro de 2009
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
Apophis sob intensa vigília!!!
Devido ao seu grande tamanho e por sua órbita cruzar o caminho da Terra, Apophis é um dos mais vigiados asteroides do espaço. O objeto deve atingir a máxima aproximação no ano de 2036 e até recentemente tinha uma chance em 45 mil de se chocar contra a Terra. Agora, novos cálculos diminuíram um pouco essa chance, mas a vigília permanece.
sábado, 3 de outubro de 2009
Sabe aqueles remédios para pressão, diabetes, febre, pneumonia, aquelas vacinas, insuficiência renal...quem testou?

Terapias experimentais podem deixar lições amargas (E NÃO FAZER!?)
Cientistas aprenderam dolorosamente com a primeira morte decorrente da terapia genética
por Melinda Wenner
Grave revés: James W. Wilson dirigia o instituto onde, em 1999, ocorreu uma fatalidade da terapia genética.
Há dez anos fracassou completamente a possibilidade de usar genes normais para curar defeitos congênitos, quando Jesse Gelsinger, jovem de 18 anos de Tucson, Arizona, morreu de falência múltipla dos órgãos durante uma terapia genética experimental na University of Pennsylvania (normalmente chamada de Penn). Hoje a sala de reunião do Laboratório de Pesquisas Translacionais da universidade está repleta de objetos que lembram aquela experiência. Exemplares do livro intitulado Construindo a Confiança Pública e Biossegurança no Laboratório são encontrados nas prateleiras e no quadro branco está escrito “IL-6” e “TNF-α”, abreviações que representam alguns dos fatores imunológicos que ficaram fora de controle no corpo de Gelsinger.Essas alusões ao passado não surpreendem, considerando que a experimentação clínica mudou drasticamente a terapia genética e, em particular, a vida de James M. Wilson, médico geneticista que chefiava o Instituto para Terapia Genética Humana da University of Pennsylvania, responsável pelo teste. A Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) proibiu a realização de experimentos com seres humanos e Wilson deixou seu posto no instituto, hoje extinto, embora tenha continuado a fazer pesquisa na Penn. Ele evitou aparecer em público até 2005, quando foi autorizado a fazer testes clínicos sob a supervisão de um pesquisador designado pela FDA, pois ficou impedido de chefiar experimentos por cinco anos. A agência também solicitou que escrevesse um artigo ─ publicado, em abril, na Molecular Genetics and Metabolism ─ sobre as lições aprendidas. Desde então começou a fazer palestras em universidades sobre a importância do exercício cuidadoso das ciências médicas, particularmente quando se trata de terapia com células-tronco, que hoje substituiu a terapia genética.O tom de Wilson, ao discorrer sobre os fatos de 1999, mostra que o assunto ainda é doloroso. “Não teria prosseguido com os testes se soubesse o que sei hoje”, observa. Nos anos 1990, cientistas como ele estavam muito envolvidos com as perspectivas da terapia genética para perceber que seus conhecimentos sobre o assunto não eram suficientes para obter sucesso com seres humanos. “Fomos seduzidos pela simplicidade do conceito: coloca-se o gene lá e pronto.”A experiência realizada testava uma terapia para deficiência de ornitina transcarbamilase (OTC, na sigla em inglês), doença rara em que falta no fígado uma cópia funcional do gene OTC. Esse defeito impede o corpo de eliminar amônia, derivado tóxico resultante do metabolismo de proteínas. Os cientistas da Penn desenvolveram um adenovírus (vírus do resfriado) enfraquecido para transportar uma cópia normal do OTC para o fígado.Dezessete pacientes passaram pelo tratamento antes de Gelsinger, integrante do grupo que recebia a dose mais alta da terapia. Muitos cientistas, bem como a FDA, questionaram por que Gelsinger estava sendo tratado, uma vez que diversos pacientes de outros grupos já haviam sofrido sérias reações hepáticas. Wilson alega que “esse tipo de toxicidade era esperada”, com base nos experimentos feitos em animais, e acreditava que a experiência estava sob controle. De acordo com Mark Batshaw, diretor do Instituto de Pesquisa da Criança do Centro Médico Nacional da Criança, em Washington, D.C., Wilson e demais membros da comunidade científica tiveram de aprender da maneira mais difícil “que os resultados obtidos com animais não predizem necessariamente o que ocorrerá com seres humanos”. Batshaw também estava envolvido na experiência de 1999.A FDA questionou a decisão de tratar Gelsinger também por outras razões. Pouco antes do início do tratamento, Gelsinger ─ que sofria de uma forma branda da doença ─ tinha altos níveis de amônia no sangue, indicando que o fígado não funcionava bem. Os níveis estavam dentro de valores aceitáveis quando ele se inscreveu para participar do teste, três meses antes, mas os cientistas prosseguiram assim mesmo. Wilson, responsável pelo protocolo e sua execução, admite que “no protocolo não ficava suficientemente claro que nível a amônia poderia atingir, e quando, o que era uma falha importante”.Os altos níveis de amônia contribuíram para a morte de Gelsinger? Essa pergunta deixa Wilson pensativo durantes alguns instantes, antes de responder: “Bem, acho que não, mas em biologia as coisas raramente são provadas.” Ninguém sabe exatamente como o processo ocorreu. As funções do fígado de Gelsinger e sua resposta imunológica estavam relacionadas, no entanto. Hoje Wilson acredita que o jovem morreu de um fenômeno raro conhecido como aumento da dependência de anticorpos (ADE, na sigla em inglês). O rapaz pode ter sido exposto ao mesmo adenovírus no passado, o que fez com que seu corpo criasse anticorpos. Normalmente os anticorpos controlam um vírus que invade novamente o corpo, mas ocasionalmente provocam resposta imunológica perigosa. Wilson admite, no entanto, que não há como provar isso, porque não restou nenhuma amostra de sangue de Gelsinger coletada antes do tratamento.Wilson observa que, se Gelsinger de fato morreu por causa de uma complicação rara e imprevisível, ele não pretende se esquivar da responsabilidade. “A universidade, a comunidade científica e as famílias que confiavam no nosso sucesso, ficaram desapontadas”, desabafa. “Sinceramente não encontro outra forma de dizer isso. Lamento muito, estou arrependido, sinto-me péssimo; Sinto muito.” A universidade pagou um valor, não divulgado, para encerrar um processo de morte por negligência, instaurado pela família de Gelsinger.No artigo sobre “as lições aprendidas”, Wilson aconselha os pesquisadores a evitarem situações que possam acarretar problemas financeiros (em 1992 Wilson fundou uma empresa de biotecnologia dedicada à terapia genética). Ele também argumenta que os cientistas pesquisadores de terapias não devem ser os mesmos a fazer os testes em seres humanos. “Não se pode ser a pessoa que age em benefício do objeto da investigação”, comenta. E acrescenta que cientistas clínicos devem sempre se perguntar: “No pior cenário possível – não no provável ou potencial, mas no pior – isso seria aceitável?” Segundo ele, se tivesse feito a si mesmo essa pergunta, em 1999, não teria continuado.Essa tem sido uma década difícil para a terapia genética, mas Wilson acredita que a perda de prestígio era inevitável. A morte de Gelsinger “foi certamente um acontecimento deflagrador”, afirma, mas “os astros estavam se alinhando e esse campo da ciência estava prestes a enfrentar tempos difíceis”. Embora alguns experimentos com terapia genética tenham tido certo sucesso, podem ter produzido reações adversas nos voluntários.Apesar de tudo, Wilson não desistiu da área ─ está tentando torná-la mais segura. Desde 1999, subvencionado pela GlaxoSmithKline, seu laboratório identificou 120 novos vírus associados à adenovírus, que podem penetrar facilmente no sistema imunológico e introduzir genes terapêuticos com riscos menores, e os distribuiu para 700 pesquisadores de todo o mundo para mais estudos. Ele e outros esperam que casos como o de Jesse Gelsinger não se repitam."
Agora vai!
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